Migração e imobiliário são frequentemente discutidos separadamente.

Um é geralmente apresentado como um tema político. O outro é visto como uma decisão de investimento.

Na realidade, estão intimamente ligados.

Nos últimos anos, tenho notado um padrão claro entre muitos clientes internacionais que consideram Portugal. Muito poucos iniciam a sua jornada dizendo: “Quero comprar uma propriedade.”

A maioria começa dizendo algo completamente diferente.

“Quero uma melhor qualidade de vida.”

“Quero passar menos tempo em deslocações.”

“Quero que os meus filhos cresçam num lugar mais seguro.”

“Quero um plano B fora do meu país de origem.”

A procura de propriedade geralmente vem depois.

É por isso que migração e habitação estão a tornar-se cada vez mais interligadas em toda a Europa.

As Pessoas Mudam-se Primeiro, Depois Compram

A maioria das relocalizações internacionais segue um caminho semelhante.

Uma família chega a um novo país e arrenda durante o primeiro ano. Quer compreender os bairros, escolas, sistema de saúde e vida quotidiana antes de assumir um compromisso de longo prazo.

Vemos isto regularmente em Portugal.

Muitos americanos que chegam através do Visto D7 arrendam inicialmente em Lisboa, Cascais, Porto ou no Algarve. Após passarem um ou dois anos no país, muitos começam a procurar uma casa permanente.

O mesmo acontece com trabalhadores remotos e empreendedores.

A relocalização começa com a residência. A compra de propriedade frequentemente segue-se mais tarde.

Isto cria uma fonte constante de procura habitacional que é muito diferente do turismo ou de visitantes de curta duração.

Certas Regiões Atraem a Maioria dos Novos Residentes

A migração não impacta todas as cidades de forma igual.

Quando residentes internacionais se mudam para o estrangeiro, raramente escolhem localizações ao acaso.

Tendem a procurar as mesmas coisas:

  • Bons cuidados de saúde
  • Escolas internacionais
  • Infraestrutura fiável
  • Ligações aeroportuárias
  • Segurança
  • Comunidades de expatriados existentes

Isto explica por que locais como Lisboa, Cascais, Porto, o Algarve, Valência, Málaga e Atenas continuam a atrair compradores internacionais ano após ano.

Em Portugal, por exemplo, é comum encontrar reformados americanos no Algarve, profissionais de tecnologia em Lisboa e trabalhadores remotos ao longo da Costa de Prata.

À medida que mais pessoas escolhem as mesmas localizações, a procura habitacional naturalmente aumenta.

A Migração por Estilo de Vida Está a Mudar o Mercado

Há vinte anos, a migração estava frequentemente ligada principalmente ao emprego.

Hoje, muitas pessoas estão a relocalizar-se por razões completamente diferentes.

Algumas querem custos de vida mais baixos.

Outras procuram um ambiente mais seguro, um clima melhor ou maior flexibilidade após a reforma.

O trabalho remoto acelerou esta tendência.

Um cliente que trabalha para uma empresa em Nova Iorque pode agora viver em Cascais. Um reformado canadiano pode passar a maior parte do ano no Algarve. Um empreendedor britânico pode gerir um negócio a partir do Porto.

Estes indivíduos não se estão a mudar temporariamente.

Muitos estão a planear ficar durante anos.

Isso tem um impacto muito diferente nos mercados imobiliários locais do que o turismo tradicional.

A Propriedade Está a Tornar-se Parte do Planeamento de Relocalização de Longo Prazo

Para muitas famílias internacionais, comprar propriedade não é simplesmente uma decisão de investimento.

Torna-se parte da sua estratégia de relocalização de longo prazo.

Quando alguém decide passar vários anos em Portugal, matricular os seus filhos em escolas locais, estabelecer residência fiscal e eventualmente candidatar-se à residência permanente ou cidadania, a propriedade torna-se frequentemente um próximo passo natural.

Vemos regularmente clientes que chegam inicialmente sem intenção de comprar.

Alguns anos depois, após se sentirem confortáveis com a vida em Portugal, decidem comprar uma casa porque veem o seu futuro aqui.

Por outras palavras, a migração cria procura habitacional não apenas hoje, mas frequentemente vários anos no futuro.

Os Governos Estão a Prestar Atenção

A ligação entre migração e habitação tornou-se impossível de ignorar para os governos.

Países em toda a Europa estão a tentar equilibrar dois objetivos.

Por um lado, atrair talento internacional, empreendedores, reformados e investidores traz benefícios económicos.

Por outro lado, o aumento da procura habitacional pode exercer pressão sobre os mercados imobiliários locais, particularmente em cidades populares.

Esta discussão já está a moldar decisões políticas em toda a Europa e provavelmente continuará a influenciar as políticas de imigração e habitação nos próximos anos.

Considerações Finais

A migração já não é impulsionada apenas por oportunidades de emprego.

Cada vez mais, as pessoas estão a escolher onde querem viver com base no estilo de vida, segurança, flexibilidade, cuidados de saúde, educação e planeamento de longo prazo.

Como resultado, habitação e migração tornaram-se intimamente ligadas.

Todos os anos, vemos indivíduos e famílias chegarem a Portugal para explorar opções de residência. Muitos começam como arrendatários. Com o tempo, um número significativo torna-se proprietário.

É por isso que a migração não está apenas a mudar onde as pessoas vivem.

Está também a moldar o futuro dos mercados imobiliários em toda a Europa.